Etapa 8 — Interlagos
Chegou a hora. Última etapa da Copa Enfoque Odontologia, com pontos dobrados, disputada em Interlagos no dia 26 de agosto de 2026 com 15 dos 19 inscritos no grid. A gente veio pra Interlagos com o Fabio Santos praticamente com a mão na taça, e saiu de lá com um roteiro que ninguém tinha previsto — pole novo, vencedor novo, colapso na primeira volta e um campeonato definido do jeito mais estranho possível.
Quem levou a corrida foi o Marcelo Jaime, e de que forma. Cravou a pole, cravou o melhor tempo teórico e o melhor setor 2, largou na frente, perdeu a ponta por um punhado de voltas pro Raphael Souza e reassumiu na oitava, liderando 9 das 16 voltas até bandeira. Uma vitória tranquila, com só 4 pontos de incidente e o carro parecendo o mais afiado do grid. Com os 100 pontos dobrados, o Marcelinho fecha a temporada em 2º geral com 344 pontos, dando um salto de 3º pra 2º na última respirada do campeonato — jeito perfeito de encerrar a Copa.
Mas o nome do dia, no sentido oposto, é o Marcelo Bastos. Segundo colocado do grid, precisando pontuar forte pra brigar pelo título, ele conseguiu a proeza de despencar do 2º pro 14º em uma única volta e ficar cravado em 15º e último até o fim. Nenhum ponto de incidente, absolutamente nenhum contato registrado — foi um problema mecânico ou de setup que jogou toda a temporada dele no lixo em segundos. Perdeu 13 posições no total, o pior colapso da noite, e assistiu o vice-campeonato escapar entre os dedos ali mesmo, na primeira curva depois da largada. Terminou o campeonato em 3º, o que ainda é resultado excelente, mas o gosto vai ser amargo.
E o mais irônico é que o próprio Fabio Santos passou pelo mesmo susto. Largou em 4º, também despencou pro 15º já na segunda volta e terminou em 12º, longe do ritmo. Só que ele chegou em Interlagos com folga suficiente pra que 48 pontos (do 14º dobrado) bastassem pra levantar o troféu. Quatro vitórias na temporada, seis pódios em oito corridas, o piloto mais consistente da corrida final apesar do resultado fraco, e um título conquistado no papel muito antes da bandeira. Fabio Santos, campeão da Copa Enfoque Odontologia 2026 — merecido do começo ao fim.
O pódio da corrida ficou com o Raphael Souza e o Fernando Carabette. O Raphael cumpriu tabela: largou em 3º, roubou a ponta na abertura, segurou por seis voltas, entregou pro Jaime e cruzou em 2º com a execução mais limpa do grid (75 milésimos de diferença pra volta ideal) e zero pontos de incidente — literalmente o mais pacífico da noite. Já o Fernando fez a corrida da recuperação: largou em 8º, subiu direto pro 3º na primeira volta e nunca mais soltou, defendendo a posição até o fim e fechando a temporada com uma escalada de 8º pro 6º na classificação geral.
E na volta final rolou o filme mais maluco da temporada. Enquanto o pelotão da frente vinha em ordem, a bandeirada trouxe uma reviravolta em cascata: o Joao Sena, que vinha tranquilo em 5º na maior parte da corrida, despencou pro 14º na última volta e jogou fora todos os pontos que tinha na mão. O Rafael Iwata, que já vinha de uma noite complicada como o piloto mais violento do grid — 15 pontos de incidente, sete oponentes diferentes tocados, o menos consistente também — perdeu três posições no fim e caiu do 7º pro 10º. Foi nessa bagunça final que apareceu o Daniel Baiao, largou em 15º e último e foi subindo em silêncio até fechar em 7º — 8 posições ganhas, a melhor recuperação da corrida, e um prêmio bem merecido.
Vale registrar também o show do Douglas Carabette, que largou em 12º, virou de casa a volta mais rápida da noite e ainda ficou com os melhores tempos nos setores 1 e 3, terminando em 5º numa etapa em que o cronômetro claramente estava do lado dele. E o Augusto Rost fez a corrida das oscilações — 10 mudanças de posição, saiu do 5º pro 2º, caiu, subiu, caiu de novo, terminou em 6º —, um roteiro que resume bem o tom desta corrida final.
Interlagos fecha a Copa Enfoque Odontologia com Fabio Santos campeão, Marcelo Jaime vice numa arrancada final linda e Marcelo Bastos completando o pódio da temporada mesmo depois do desastre da noite. Foi uma Copa cheia de reviravoltas do começo ao fim, e essa última etapa condensou tudo o que o campeonato foi: consistência premiando o campeão, momentos de brilho pra quem soube aproveitar, e um pouquinho de cruel imprevisibilidade pra lembrar a gente por que a gente ama esse esporte. Agora é descansar, tomar uma cerveja e começar a pensar na próxima temporada.










